Ferida

Alba Torres[ES]  Catarina Campos[PT]  Quim Giron[ES]  Pau Masaló Llorà[ES]  Rui Paixão[PT] Direção Artística | Julieta Aurora Santos [PT]  Direção Musical | Tiago Inuit[PT]  Participação | Grupo Coral da Casa da Gaia[PT]

PERFORMANCE | MULTIDISCIPLINAR
M/6 | 45’
25 maio | 23h30 | Jardins da Biblioteca Municipal
26 maio | 22h30 | Jardins da Biblioteca Municipal
27 maio | 21h45 | Jardins da Biblioteca Municipal

Estreia Absoluta

Coprodução FiraTárrega [ES]

A FERIDA é um lugar de sombra, oculto, latente, amordaçado. Um latejar contínuo sob a pele, cicatriz por sarar, um profundo poço no espelho. A memória, enquanto espaço fragmentado, contém feridas que o tempo parece não curar, recordações que nos perseguem como fantasmas, que pedem, gritando, que as deixemos emergir e as acolhamos como parte das nossas vidas, para podermos prosseguir. É preciso trazer à luz dos dias a nossa fragilidade, identificar o que nos consome e nos limita. Visar a cura como um ato de amor a si mesmo e aos outros. Curar a memória e libertar a sua carga destrutiva, enfrentar os medos que nos conduzem ao imobilismo, é voltar a encontrar a capacidade de existir de acordo com o próprio ser e a consciência mais profunda.

A partir de um conceito inicial de MEMÓRIA, como o eixo temático articulador de um projeto pensado como oportunidade de diálogo entre dois países vizinhos, cinco artistas, portugueses e catalães, um encenador, uma bailarina, uma performer, um acrobata e um clown, coordenados artisticamente por uma encenadora portuguesa, reuniram-se num laboratório de três dias em Tàrrega (Catalunha, Espanha) com o objetivo de se conhecerem, mas essencialmente de traçaren juntos as abordagens ao tema proposto pelos festivais, encontrar uma narrativa comum e desenhar a metodologia criativa, num processo realizado e coordenado à distância, consolidando-se depois em 3 semanas de residência para a sua primeira apresentação ao público e uma última residência em Tàrrega. Neste primeiro encontro, o diálogo surgiu de forma espontânea e sensível, criando um elo íntimo, emocional e raro entre todos os envolvidos. Surgiram “feridas” pessoais, íntimas, memórias invocadas perante o questionamento sobre onde cada um se encontra, agora, enquanto individuo e o seu caminho enquanto artista. As “feridas” apareceram como apropriação do conceito que foi estabelecido como ponto de partida. Emergiram depois como título, matéria sensível e espaço simbólico: casa, ilha, isolamento, poço, silêncio, círculo, lugar proibido, esquecimento, farsa, doença, peso, morte e libertação.

Os artistas desenvolveram narrativas individuais sobre o tema, debruçando-se num processo criativo baseado essencialmente nas suas próprias histórias pessoais, de profunda densidade emocional e grande generosidade. Estas narrativas cruzar-se-ão nas práticas finais, com o objetivo de criar um corpo único, em residência artística, com todo o grupo reunido. Mais do que nos aspetos formais, procurou-se que os artistas se focassem no processo criativo, desenvolvendo não só um trabalho de investigação e pesquisa, mas identificando a génese da dor, colocando literalmente o “dedo na ferida”.

Um caminho artístico que visa a cicatrização – marca indelével da sua existência – apoiado na crença de que no mais profundo do ser está algo indestrutível, que conserva uma imensa capacidade de regeneração e recomeço.

 

 

Alba Torres [ES] – Performer

Iniciou o seu percurso artístico na adolescência, criando um lagarto gigante que ocupava toda uma parede na casa dos seus pais. A sua formação levou-a à atividade de arte-terapia, investigando as raízes antropológicas da arte como fundamento da sua atividade profissional.
A base da sua investigação artística centra-se na viagem da uma dimensão inconsciente, onírica e mágica que questiona a posição da mulher na sociedade atual. Uma viagem por entre feridas das suas vivências e de todas as jovens que viveram enclausuradas na ditadura espanhola.

 


Catarina Campos [PT] – Bailarina

Arquiteta curiosa por natureza e por todas as atividades que envolvam movimento e música. Bailarina por encontrar na Dança o universo onde tudo é possível ser integrado, focando a sua energia no estilo e cultura Hip-Hop.
Um trabalho artístico, uma dualidade entre o interior e o exterior. E o silêncio entre ambos. As coisas que não falas. E as que falas, em silêncio. O silêncio, ensurdecedor, que incomoda, que magoa, que apetece gritar mas não sai, que pede para ser ouvido. O silêncio que é entendimento, que é cheio, que não precisa de palavras, onde tudo já está dito.



Quim Girón [ES] – Artista de Circo/Acrobata

Um jovem artista de circo contemporâneo que vive em Barcelona, na procura do equilíbrio entre a acrobacia, o som, a percussão, o clown e o movimento animal com influência na astronomia. Quim trabalha com uma abordagem artística arrojada e inovadora, sempre na procura do novo e da superação.
O trabalho artístico leva-o a imaginar um homem formado para ser guerreiro, em busca de sentimentos debaixo da terra. Qual será o papel de um homem nos dias de hoje? O homem em busca da semente e da origem e que se encontra com a morte. A dor que o converte num ser sensível e pleno de liberdade.

 


Pau Masaló Llorá [ES] – Encenador

Licenciado em comunicação audiovisual e doutorado em teoria, análise e documentação cinematográfica, tem um percurso artístico que vai muito além da imagem, tendo como encenador dirigido alguns dos mais interessantes projetos de intervenção contemporânea no espaço público dos últimos anos.
Partindo do objetivo de melhor conhecer uma cidade através da memória dos que já nos deixaram, procura vozes desaparecidas e conflitos políticos ou sociais para dar voz ao sentimento de coletividade e comunidade, como uma forma definitiva de recordar, encarnar e celebrar a resistência intima.

 


Rui Paixão [PT] – Clown

Intérprete de linguagem clown, numa abordagem contemporânea e com uma dramaturgia própria, procura desafios de exploração estética e sensorial do espaço público. Jovem e irreverente, conquistou uma posição única à escala internacional, sendo atualmente uma referência na sua área.
Uma reflexão sobre o futuro de um palhaço abre portas a um grito materializado num ritual absoluto, onde o corpo mostra a sua insuficiência perante o espírito que o povoa. Um colchão é uma espécie de mãe adotiva, como um útero rasgado, um ventre público… num parto eminente.

Julieta Aurora Santos [PT] – Encenadora, Diretora Artística

Nasceu em Sines (Portugal), cidade que ainda hoje acolhe a sua reflexão e é sede do seu trabalho artístico. Desde cedo se dedicou à cultura e ao espaço público como local privilegiado de intervenção. Fundou o Teatro do Mar e a Associação Contra-Regra, desenvolvendo um trabalho multidisciplinar e de investigação numa dinâmica internacional e aberta à procura do novo. Possuidora de uma vasta experiência prática e formativa, frequentou recentemente um Mestrado em Criação Artística para o Espaço Público na Universidade de Lleida (Catalunha), em parceria com a FiraTàrrega. Como diretora artística, Julieta deposita a sua experiência e linguagem criativa na união e cruzamento do trabalho artístico para o desenvolvimento do projeto a apresentar publicamente nos festivais.

 


Tiago Inuit [PT] – Músico, Compositor

Licenciado em Música pela Universidade Concordia (Montreal, Canadá), trabalha como produtor, compositor e músico em diversos projetos internacionais de música, cinema, vídeo, teatro e performance. Trabalhou para a Gala Films, na música da série documental sobre o “Cirque du Soleil – Fire Within”. Colabora e é elemento de diversos projetos ligados à música, cinema, televisão e teatro.

 


Grupo Coral da Casa da Gaia [PT]

Fundada em 1971, com um número inicial de 30 sócios, a Casa da Gaia é hoje uma das mais importantes coletividades do concelho de Santa Maria da Feira e do distrito de Aveiro, contando atualmente com mais de 1000 associados. Desenvolveu, desde logo, a sua atividade com o Grupo Coral, seguindo-se o Grupo Folclórico e todas as atividades mais recentes, no âmbito da promoção da atividade cultural e desportiva.