Enquadramento

“The world is yours. Take it.” (Homero)

 

O Imaginarius – Festival Internacional de Teatro de Rua de Santa Maria da Feira reinventa-se continuamente, num contexto que provoca a inovação e estimula a criação artística contemporânea. À 18ª edição, o Imaginarius converte-se num espaço aberto a todos, com olhos postos nas nossas raízes e nas origens das artes de rua, mas alinhado com a potenciação criativa para o espaço público e as relações internacionais.

Um desafio para todas as idades, um agente de educação pela arte, uma plataforma de oportunidades para artistas emergentes, um lugar de encontros. O Imaginarius (re)afirma-se como “o espaço” das artes de rua em Portugal, num contexto multigeracional, potenciador de laços sociais e artísticos e, ainda, gerador de condições para o desenvolvimento ativo de novas abordagens criativas.

A programação da 18ª edição desafia os nossos limites, abrindo alas a um desfile de odisseias e peripécias dos nossos tempos. Num contexto único de desventuras e deslumbramento, a eterna reflexão do nosso estado social (re)afirma-se como uma razão de ser e um estímulo à criatividade. Um alinhamento de programação que mescla diferentes estados de espírito, contrasta opiniões, antagoniza o quotidiano, questiona-se… e questiona-nos. Uma experiência individual ou coletiva que exorta alter-egos e clássicos da literatura, faz-nos parar na berma da estrada, desafia o espaço de todos e a sua utilização… e provoca uma cidade nas suas dinâmicas basais e interligações.

Em 2018, o Festival Internacional de Teatro de Rua de Santa Maria da Feira traz à cidade mais de 300 artistas, oriundos de 17 países, para 3 intensos dias de completa transfiguração do espaço urbano. Um programa interventivo e ativo que, através de 6 processos de residência artística, provoca e questiona a sociedade atual. Neste contexto, 37 companhias apresentam 40 diferentes espetáculos capazes de nos conduzir a novos mundos e outros contextos, através de 195 apresentações ou intervenções artísticas.

A geração de oportunidades é um dos pilares do festival que, além de permitir a exploração de novas linguagens artísticas e o apoio à criação contemporânea, com 7 Criações Imaginarius e 2 instalações de arte pública originais, garante ao público o contacto direto com novas realidades e identidades artísticas. As 11 estreias absolutas e 24 estreias nacionais programadas são a garantia da inovação a que o festival já habituou a audiência.

No Ano Europeu do Património Cultural, o Imaginarius reinventa o seu olhar sobre o centro histórico de Santa Maria da Feira e provoca novos lugares, novas abordagens aos contextos de programação e um novo espaço ativo. Assim, em 2018, a zona envolvente ao Museu Convento dos Lóios adquire uma nova funcionalidade programática, convertendo-se numa área de apresentação artística, com linguagens intimistas, sensoriais e que carecem de um ambiente envolvente especial para a garantia do devido contexto de apresentação.

Odisseias, viagens, questionamentos, inquietações e dúvidas são elementos centrais da génese criativa que gera o fio condutor da 18ª edição do Imaginarius. Theater Gajes muda-se para Santa Maria da Feira, a tempo de ultimar a sua nova criação Odyssee. Tendo por base a “Odisseia”, de Homero, a companhia holandesa estreia o seu novo espetáculo, com recurso a imponentes estruturas cénicas, interação com a audiência, uma original banda sonora ao vivo e uma viagem num espaço ermo, pleno de imaginários coletivos e visões do senso comum. Uma coprodução com o Imaginarius repleta de efeitos especiais, dramaturgia e intensidade, envolvendo um processo ativo de capacitação de agentes locais e um perfil de internacionalização sem precedentes. Uma verdadeira odisseia que colabora para uma mudança de página no contexto criativo do festival.

Também fruto de um processo criativo longo e de residência artística local, Teatro do Mar, apresenta em estreia absoluta e em coprodução com o Imaginarius, InSomnium. Uma produção multidisciplinar de médio formato, que nos remete para o historial passado da mais internacional companhia portuguesa e nos transporta para a dimensão épica dos nossos sonhos. Com recurso a uma estrutura cénica de grande formato e multimédia complementar à performance, gera-se um ambiente mágico e empático que nos fará olhar para dentro. Uma nova oportunidade coletiva, um perfil claramente apto a difusão internacional e uma nova viagem criativa.

As estradas dos nossos tempos são também fonte de inspiração criativa. Ici’bas, companhia suíça vencedora do concurso Mais Imaginarius em 2017, regressa a Santa Maria da Feira para, em residência artística, concluir a nova criação Lonely are the lonely roads. Uma epopeia solitária, uma reflexão das nossas atitudes sociais, num percurso de vida contemporâneo. Um desafio ao posicionamento social de cada um de nós, um obstáculo reluzente que nos fará parar e pensar.

Em contraste absoluto com um contexto de festival, de celebração coletiva, de encontros e de transfiguração, o apogeu claro do Imaginarius’18 tem o silêncio como grande aliado. Mas será mesmo assim? A histórica companhia francesa Les Commandos Percu regressa a Santa Maria da Feira com um novo e rejuvenescedor projeto artístico. Como sempre, a pirotecnia e a percussão são os pilares únicos e absolutos de uma ação silenciosa, que num dado momento explode a todos os níveis, tal como um vulcão. Um desafio à nossa mente, um jogo de opostos, uma antítese social… um resultado imponente, visual e imperdível.

Fruto da seleção da CALL – Apoio à Criação Local, dois projetos artísticos locais foram desenvolvidos em residência criativa. Rina Marques e Rui Paixão são a imagem de uma transformação artística, num jogo “de berma de estrada”, num risco coletivo e um apoio multidisciplinar evidente. HANNO será um desfio conceptual e de contexto para todos. Por outro lado, Telmo Ferreira reflete diferentes dimensões sociais, num jogo metafórico para todas as idades. Houston, we have a problem promete reflexão, instintos e jogos de objetos, num espetáculo inovador.

Uma programação que obviamente não se esgota na criação artística contemporânea original e em estreia absoluta, mas pretende provocar a audiência com novas abordagens ao espaço público, ao circo contemporâneo e à multidisciplinaridade característica do festival. A intensidade e irreverência de Blaas of Glory, a simplicidade estética e visual de Col-lectiu la Persiana e a provocação ativa da instalação de Moradavaga para a comemoração do centenário do Clube Desportivo Feirense são outros exemplos ativos da riqueza e variedade das propostas artísticas apresentadas.

Ligação ativa à comunidade, num contexto cada vez mais diferenciador e gerador de mudança, são características identitárias vincadas do projeto Imaginarius Infantil, que além de, pelo quinto ano consecutivo, transformar ativamente as tardes do festival para o público familiar, desenvolve atividades de capacitação e envolvimento, concertadas e complexas, em diferentes faixas etárias. Em 2018, destaca-se o projeto Fractions of a Whole, que se materializa por quatro intensos meses de trabalho de uma equipa artística ligada ao circo e ao movimento com uma turma de animação sociocultural. Uma ação de provocação, capacitação e geradora de uma nova visão do setor artístico. Um desafio conceptual e dramatúrgico, muito além das técnicas circenses. Um processo que pretende deixar lastro e provocar o percurso artístico futuro dos jovens locais.

Transformado numa ativa plataforma internacional de oportunidades para artistas emergentes, o concurso Mais Imaginarius recebeu para a edição de 2018 um recorde absoluto de candidaturas. Foram apresentadas a concurso 295 propostas, oriundas de 48 países, numa constatação evidente do atual posicionamento internacional do Imaginarius. Um interesse de envolvimento artístico sem precedentes, que volta a caracterizar-se por uma secção destinada à experimentação e inovação criativa, integrada na programação oficial do festival. O vencedor da competição será convidado a criar em residência um novo espetáculo para estreia na edição 2019 do festival.

O Imaginarius continua a transformar e a potenciar a transfiguração ativa. Espaços de contacto profissional, atividades de mediação, encontros e sessões de capacitação são elos complementares e estruturantes do festival, do seu ADN criativo… de uma forma democrática de ser, estar e encarar a atividade artística no espaço público. Um contexto amplo e integrado que, em 2018, se revê num modelo alargado e revisto para o programa Imaginarius PRO. O debate, a partilha e o confronto de ideias e boas práticas para a intervenção no espaço público conquistam um papel ativo no novo Simpósio que antecipa o festival, vendo a ação do Showcase reforçada, numa aposta que envolve, ainda, o ecossistema criativo local.

O Mundo abre, assim, as portas ao Imaginarius, numa dinâmica ímpar de internacionalização e reconhecimento. Um festival que é um work in progress permanente, na busca ativa do contraditório, do “novo”, do (in)correto e do experimental. Um festival que agarra oportunidades e novos mundos, numa viagem pessoal e alucinante que nos transporta a realidades distintas e disruptivas.

 

 

 

NÚMEROS DO FESTIVAL

3 dias

MAIS DE 300 artistas

17 países

alemanha, argentina, áustria, bélgica, espanha, finlândia, frança, Holanda, irlanda, itália, marrocos, portugal, reino unido, rússia, sérvia, suiça, turquia

37 companhias ou projetos artísticos

40 espetáculos/intervenções

6 residências artísticas

7 criações imaginarius

2 instalaçÕes de arte pública

3 Workshops

11 estreias absolutas

24 estreias nacionais

195 apresentações ou intervenções artísticas

MAIS DE 170 horas de conteúdos de programação