Celebrar é escolher como continuamos.
Os próximos 25 anos são agora.
Há territórios que se mostram e outros que exigem escolha para se revelarem. O Imaginarius habita esse intervalo.
Enquanto festival de artes performativas em espaço público, afirma-se como um lugar instável, feito de escolhas e movimentos, onde o urbano deixa de ser cenário e passa a ser matéria viva, marcada por fricções, pertenças instáveis e gestos de resistência.
A cidade surge como território em tensão e em disputa, atravessado por gestos, rituais, máscaras e movimentos que expõem desigualdades, vigilâncias e desejos de libertação. O espaço comum torna-se num campo simbólico e real, onde identidade(s), pertença e coletivo se confrontam e se reinventam. Estar, ocupar ou atravessar será sempre um gesto sensível e político.
Neste território, nada se completa num único percurso, tudo se constrói na travessia. Neste território, a lógica dominante não é a da progressão linear nem da previsibilidade. Os ritmos sobrepõem-se e fragmentam-se, há ações que insistem, que se repetem, que sobem, que derretem, que empurram o presente para o limite.
O Imaginarius convoca a vertigem do agora, o risco e a irreversibilidade. Não se trata de explicar o futuro, mas de o fazer sentir, com a urgência que já habita o presente, nos limites físicos, ambientais e humanos que atravessamos diariamente. O festival acontece em múltiplos lugares em simultâneo, assumindo a fragmentação como condição. E, mesmo nesse limiar, a energia não desaparece. Multiplica-se e desloca-se. O jogo, o ritmo, o humor, o esforço partilhado e a celebração surgem como formas de ocupação do espaço e de construção do comum. Criam-se comunidades efémeras e intensas, onde o movimento não abranda e a irreverência não é fuga, é tomada de posição. Continuar, repetir, insistir tornam-se escolhas conscientes. Resistir é também celebrar, juntos.
A programação desta edição não propõe uma leitura única nem um mapa fechado: não se trata de percorrer o conjunto, mas de escolher caminhos. Aponta opções, zonas de gravidade onde as propostas se aproximam, se cruzam e se tensionam. Cada pessoa constrói o seu próprio Imaginarius, movendo-se entre a cidade em disputa, o futuro como vertigem e limite(s), e a energia como forma de resistência. A escolha afirma-se como autoria coletiva, o território como dramaturgia comunitária e a impossibilidade como método. Cabe a cada um de nós percorrer estas órbitas à sua maneira, sabendo que é nesse atravessamento instável, sensível e partilhado que a imaginação se torna prática viva. Em 3 dias, o mundo cabe aqui.
Concurso de artistas emergentes para o espaço público
O MAIS Imaginarius dá espaço ao que ainda está em processo. Uma zona de risco, de tentativa e de exposição, dedicada a artistas emergentes que escolhem o espaço público como território de criação e confronto. Aqui, as propostas não são apresentadas como obras fechadas, mas como gestos em relação direta com a cidade, os seus ritmos, os seus imprevistos e os seus públicos.
Esta secção assume o espaço público como matéria ativa e não como simples cenário. As criações selecionadas testam linguagens, formatos e cruzamentos disciplinares em contacto real com o território, aceitando a instabilidade, a fricção e a diversidade como parte do próprio trabalho artístico. O MAIS Imaginarius valoriza processos que se constroem no encontro, na adaptação e na escuta, onde errar também é uma forma de aprender e avançar.
Aberto a artistas e coletivos nacionais e internacionais, o MAIS integra plenamente a programação do festival, afirmando uma lógica que rompe com a ideia de periferia ou de programação paralela. As propostas em competição convivem com o restante programa, afirmando o Imaginarius como um lugar de passagem entre gerações, onde práticas emergentes dialogam com contextos consolidados e com a cidade viva. O projeto vencedor será convidado a desenvolver uma nova criação para estreia na edição de 2027, prolongando no tempo este gesto de aposta no futuro e reforçando o Imaginarius como espaço de acompanhamento, continuidade e construção conjunta.
Em colaboração com a FEDEC – Rede internacional para a formação profissional em circo, o Imaginarius abre espaço a criações desenvolvidas por estudantes e artistas recém-formados de escolas internacionais de circo. Estas propostas habitam um momento de transição, entre aprendizagem e afirmação, onde a prática artística ainda se constrói em contacto direto com o risco, a experimentação e a necessidade de dizer algo próprio.
As cinco criações selecionadas revelam a diversidade de linguagens, formatos e imaginários que atravessam o circo contemporâneo. Mais do que exercícios finais, são tentativas assumidas, dinâmicas em processo, ideias ainda por testar perante o público e o tempo real de um festival. Um espaço de afirmação, onde se experimenta, se falha, se insiste e se começa a consolidar uma voz autoral.
As extensões do festival prolongam o Imaginarius para além do seu centro imediato, ativando outros lugares, públicos e temporalidades. Ao expandir-se pelo território, o festival afirma-se como uma experiência distribuída, onde a criação artística se cruza com o quotidiano, a memória dos lugares e a vida comunitária. Estas extensões procuram alargar a experiência, descentralizar a fruição e reforçar a relação entre arte, território e comunidade, convidando à escuta, à permanência e ao encontro, e consolidando o Imaginarius como um projeto construído no território e com quem o habita.