O Imaginarius não procura conforto.
Não procura consenso.
Não é elitista, nem populista.
É resistência.
Resistência entendida como prática ativa de pensamento e experimentação. Um espaço onde a criação artística assume o risco como método, onde errar faz parte do processo e onde a imaginação não serve para adormecer, mas para acordar. O Imaginarius afirma-se como território de liberdade crítica, profundamente ligado à cidade e ao espaço público, onde arte e vida se cruzam sem hierarquias pré-definidas.
O Imaginarius é uma plataforma viva, um lugar onde as ideias não são apresentadas como conclusões, mas como experiências em aberto.
A programação da edição 2026 organiza-se como um universo de ecossistemas, uma diversidade de propostas que coexistem, se contaminam e se descobrem por aproximação. Neste território, a surpresa é central. A irreverência não é ornamento, é linguagem. A inovação surge da fricção entre diferentes estéticas, culturas e escalas. A cidade transforma-se num espaço de deriva consciente, onde o inesperado tem lugar e onde o encontro entre artistas, público e território gera novas formas de relação e de entendimento, alimentadas por um percurso construído ao longo do tempo, mas nunca cristalizado.
O Imaginarius assume a diversidade como condição estrutural. A multiculturalidade não surge como discurso ilustrado, mas como prática vivida. Diferentes vozes, origens e imaginários partilham o mesmo espaço, criando tensões produtivas, diálogos possíveis e experiências de tolerância ativa.
A programação projeta o futuro a partir do presente, abordando a sustentabilidade com cuidado e responsabilidade, as cidades em transformação e as comunidades que procuram novos equilíbrios. Essa projeção assenta numa leitura atenta do caminho já percorrido, capaz de reconhecer continuidades, mas também de identificar ruturas, limites e novos pontos de partida. Não propõe soluções universais, procura experiências que deixam rasto, que permanecem na memória e no pensamento para lá do tempo do festival.
O Imaginarius é emoção, surpresa, dúvida e descoberta. É o espaço onde surgem novas perguntas, onde o pensamento se torna mais livre, mais atento, mais curioso. É onde se dá voz ao que transforma gerações, sem pressa de se tornar consenso. O Imaginarius não pretende ser solução para os problemas do mundo. Pretende criar as condições para os reconhecer, para os questionar e para imaginar outras possibilidades de futuro, sabendo que imaginar implica escolher, arriscar e, por vezes, deixar para trás o que já não responde ao presente.
O tempo criou uma geração Imaginarius.
Uma geração feita de questões, de experiências partilhadas e de caminhos cruzados.
Uma geração que aprendeu que imaginar é construir.
Mas o Imaginarius não se esgota numa geração. Renova-se a cada edição, a cada encontro, a cada nova pergunta lançada no espaço público. É nesse movimento contínuo, informado pela experiência e orientado pela vontade de avançar, que o festival se mantém vivo. Os próximos 25 anos são agora, no modo como escolhemos continuar a imaginar juntos, sabendo que é nas perguntas que nasce toda a resistência.
Imaginarius 2026 em números
42 companhias
+200 artistas
16 países
Alemanha, Argentina, Austrália, Bélgica, Brasil, Canadá, Chile, Eslovénia, Espanha, Finlândia, França, Irlanda, Itália, Nova Zelândia, Portugal, Reino Unido.
39 espetáculos
1 instalação
+125 apresentações
5 estreias absolutas
23 estreias nacionais
Em 3 dias, o mundo cabe aqui.